O Homem é um ser social. Citando Costa & Matos, “toda a acção social é comunicação e toda a comunicação é um processo em que relações, identidades, padrões culturais, valores…são elaborados e transformados.” As mesmas autoras, referem que a comunicação é sistémica “na medida em que ela afecta e é afectada por uma realidade construída ao longo do tempo.
Desde o início da Psicologia, que esta se interessa pelas relações interpessoais.
Del Prette refere que há duas abordagens psicológicas sobre as relações interpessoais: há uma explicação linear e uma explicação sistémica.
Quanto à explicação linear, cada um tenta sempre explicar porque razão agiu de determinada maneira ou tomou determinada atitude. Considera, ainda, que a nossa maneira de agir é afectada por factores “ambientais (características físicas sociais e/ou culturais de uma dada situação)”e por “variáveis intra-individuais(crenças, percepções, sentimentos)”(DelPrette&DelPrette,p.22).
A explicação sistémica, considera que “um sistema pode ser entendido como uma combinação ordenada de partes que interagem para produzir um resultado. A visão sistémica constitui uma tentativa de compreender a influência recíproca entre as partes de um sistema (seus subsistemas) e entre sistemas e seu entorno” (Del Prette &Del Prette, p.25). Costa e Matos, citando Bertalanffy, consideram que sistema é “um conjunto de elementos em interacção entre si e com o meio”.
Tendo em conta que as relações interpessoais só fazem sentido se analisadas no seu ambiente, implica que se envolvam todos os participantes activos de uma relação, olhando a mesma como um processo de vários componentes. “Os sistemas humanos são determinados pela força como seus componentes se relacionam entre si e isto lhe confere a estrutura” (Del Prette &Del Prette, p.28). Segundo Matos e Costa, “a importância do contexto em que o indivíduo está inserido e a reciprocidade de influências num processo de desenvolvimento contínuo é agora objecto de estudo”.
São, assim, valorizadas as relações e interacções no seio da família e da escola. É neste contexto que se centra a teoria da vinculação.
As pesquisas sobre o desenvolvimento humano e socialização levaram ao reconhecimento do Homem enquanto ser que está sempre em evolução “adaptando-se às condições favoráveis à sua sobrevivência ou procurando alterá-las quando são desfavoráveis” (Del Prette &Del Prette, p.214). Tendo em conta que a sobrevivência está ligada à relação com o outro, há necessidades internas ou externas de relacionamento interpessoal, nomeadamente necessidade de cooperação.
Idealiza-se, assim, segundo os autores, “um novo homem que deve ser construído com base em relações saudáveis” e essas relações têm maiores probabilidades “quanto mais flexível o indivíduo” for. Ainda, segundo os mesmos autores, essas relações envolvem três elementos fundamentais: interdependência, aceitação e solidariedade.
Tendo em conta que o homem é um ser social, e que essa característica envolve relações com os outros e com o meio, tentaremos sinteticamente, definir algumas relações que se criam.
Afiliação é a tendência humana para procurar a companhia de seres da mesma espécie; vinculação é o estado de dependência emocional de alguém; aceitação é reconhecer a individualidade de cada um; rejeição está relacionada com a discriminação, isto é, com o comportamento negativo em relação a membros de um grupo específico; reciprocidade pressupõe interacções sociais, considerando que os dois intervenientes são ajudados. A interdependência é associada à necessidade de filiação, desejabilidade social, atracção interpessoal, etc.
O Homem, enquanto possuidor de capacidades de auto-organização e auto renovação, mantém uma troca contínua com o ambiente.
Assim, segundo Maturana, existe autonomia e dependência, isto é, interdependência.
O contexto escolar, a par com o contexto familiar, é, por excelência, potenciador de relações interpessoais.
Bibliografia consultada:
COSTA, E.; MATOS, P. (2007). Abordagem sistémica do conflito. Lisboa: Universidade Aberta, pp.43- 72.
DEL PRETTE, A & DEL PRETTE, Z. (2006) Psicologia das Relações Interpessoais, Petrópolis: Editora Vozes,pp.212-221
NETO, F. (2000) Psicologia Social – Volume II, Lisboa: Universidade Aberta, pp. 141-146
Sem comentários:
Enviar um comentário