sexta-feira, 15 de julho de 2011

Reflexão

Surge a necessidade de reflectir sobre o caminho nesta unidade curricular.
Ora, a caminhada nesta Unidade Curricular iniciou-se com o Tema 1, intitulado, precisamente, Relações Interpessoais. Reflectimos e reconhecemos, aquilo que penso todos já sabíamos, que o Homem é um ser social. Como tal, interage com os seus pares bem como com o meio, estabelecendo relações contínuas. Assim, no 1º tema, analisamos alguns tipos de relações que se criam e reflectimos sobre alguns episódios relacionais que se passam no nosso quotidiano e que, provavelmente, às vezes até passaram sem ser notados, ou sem lhes ser dada a devida importância.
Estar atento, quer ao contexto familiar, quer ao contexto escolar, contextos geradores por excelência de relações interpessoais, permitiu-nos compreender que desde cedo se adoptam posturas ou atitudes, mediante relações que se criam. E assim estudamos relações de afiliação, vinculação, rejeição, reciprocidade, interdependência.
No 2º tema, pesquisamos e reflectimos sobre as Interacções Sociais e as Relações Interpessoais. A Escola de Palo Alto e de Chicago foram duas escolas analisadas, nomeadamente os seus princípios. Ressalta, tal como no tema anterior, que o homem é um ser social que vive e evolui através de interacções sociais, sendo através da comunicação que interage e evolui, adaptando-se conforme as suas necessidades. Ora, a ideia chave é que ninguém vive sem comunicar. Mas, como as relações interpessoais nem sempre são “pacíficas”, isto é, nem sempre um dita as regras e o outro acena que sim com a cabeça, passando este género de comportamento para o contexto escolar, (embora ele se manifeste – ou deva manifestar na sociedade em geral), entramos no 3º tema: Plano de acção tutorial.
Ora, se é através das relações interpessoais ou interacções sociais que se dá o desenvolvimento dos indivíduos, como serão essas relações? Fomos vendo ao longo dos vários temas que desde que a criança nasce estabelece relações com o meio e com o outro e que, desde cedo, se desenvolve através de mediações. Matta(2001-p.72) refere que, segundo a teoria de Vygotsky, a actividade humana possui, como principal característica, ser socialmente mediada. Ora as mediações acontecem entre pares ou entre pessoas com diferentes papéis. E, também este tema, “roça” no tema seguinte abordado: o conflito. E, antes de mais, há a referir que o conflito não significa algo maléfico. O conflito pode surgir pela simples discordância de opinião, mas que mediado, discutido civicamente, pode produzir conhecimento, crescimento. Assim, o conflito pode e deve acontecer; será dele que, muitas vezes, surgirá uma mudança consistente!
E, falando do conflito em contexto escolar, chegamos ao bullying. Tem sido um termo muito usado, um tema associado constantemente às relações em contexto escolar. Ora, este tipo de comportamento, mais uma vez, à semelhança de outros, necessita de intervenção ou mediação. E além de haver vários tipos de bullying, é necessário identificar quem são os intervenientes no processo. Além das vítimas, há os agressores e, por vezes, as vítimas – agressores, bem como as testemunhas.
Ora, em suma, percebemos que o Homem sendo um ser social, vive e evolui através de interacções sociais normalmente mediadas.

Plano de Convivência

Pode consultar aqui.

Plano de Acção Tutorial

Pode Consultar o exemplhttps://docs.google.com/document/d/1Dsp-W9tIkf7X3be7VK2rjx5ppekuvNHzqev_d3j9ykE/edit?hl=pt_PTo de um plano de acçao tutorial.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Bullying

O termo bullying vem do vocábulo em inglês to bully. Este vocábulo significa agressor, intimidador. Relaciona-se, assim, de certa forma com o conceito de violência. O conceito de bullying surgiu da necessidade de caracterizar um tipo particular de violência ou de agressão na escola, que ocorre entre pares. O bullying diferencia-se das brincadeiras (mesmo com contacto físico) nas quais algumas crianças se envolvem, bem como brigas ou discussões ocasionais entre pares de igual força e poder. Essa violência é aprendida e pode ser vista como uma resposta de alguém que agride o mundo onde não se sente aceite, o que, com alguma frequência, corresponde a um défice de vínculos psicossociais.

Sendo a escola uma organização com fins educativos, consideramos que tem havido uma preocupação cada vez mais crescente com a transmissão de valores. Essa organização vive, entre outras vertentes, de um sistema de comportamentos relacionais que são complexos.
Abrangendo a escola um conjunto de normas e obrigações, com algumas relações de força resultantes, entre outros factores, das hierarquias, há uma constante de conflito, de resistência à regra, que cria uma dinâmica de mudança e transformação. Contudo, esses conflitos afastam, por vezes, a escola da sua missão educativa. E não podemos esquecer que a escola persegue também objectivos sociais e presta contas à ”sociedade”.
Em suma, há que entender o conceito de bullying e não o confundir com agressividade ou violência.
Considerando o bullying como uma forma de violência entre pares, se considerarmos o contexto escolar, percebe-se que o referido comportamento ocorre com alguma frequência principalmente nos recreios. Portanto, deve-se procurar definir estratégias o mais precocemente possível, pois assim melhores serão os resultados quanto à redução e ao controle do bullying nas escolas.

Conflito

O conflito na Escola: ponto de vista teórico
A Escola é uma organização com fins específicos. É uma organização que se pode considerar, de certa forma, um protótipo da sociedade. Pessoas com diferentes vivências, personalidade, valores, perspectivas, interesses co-partilham o mesmo espaço, coexistindo num ambiente onde também o conflito se faz sentir nas diferentes relações existentes.
A natureza do conflito está, directa ou indirectamente, relacionado com o clima de escola e com as relações existentes.
O clima de escola abrange termos como “atmosfera”, “clima”, “ethos”- o modo como as pessoas se “sentem” na escola.
As relações são heterogéneas e referem-se a alunos -professores, alunos -auxiliares, alunos -alunos; professores -professores, professores -auxiliares, professores -pais, professores -comunidade local; auxiliares, com os restantes grupos já referidos.
Assim, nas diferentes relações, é natural que surja o conflito entre os diversos actores.
É então importante definir o conceito de conflito.
Costa &Matos (2007:75), referem as definições de conflito segundo diferentes autores. É perceptível que o conflito resulta de diferentes pontos de vista, objectivos, interesses, opiniões. As mesmas autoras referem a classificação de conflitos na escola segundo Johnson e Johnson(1995). Os conflitos podem assim ser:
Controvérsia – em que há a necessidade de procurar um acordo entre os envolvidos, os quais têm um ponto de vista incompatível entre eles;
Conflito conceptual - em que se manifesta a controvérsia com posições anteriores;
Conflito de interesses - cada um tenta “passar a perna ao outro”, de modo a atingir os seus objectivos mais rapidamente;
Conflito desenvolvi mental – relacionado com relações entre adultos e crianças;
Partilhando da opinião de Costa & Matos (2007:76), os conflitos são inevitáveis e necessários para a mudança. A sua existência não significa que sejam negativos, pois, sendo necessários para a mudança, há que potenciar os seus efeitos positivos, nomeadamente na capacidade de criar soluções e alternativas a situações problemáticas futuras.
Citando Chiavenato (1987: 88-89), “ conflito e cooperação são elementos integrantes da vida de uma organização (…) Hoje, considera-se cooperação e conflito como dois aspectos da actividade social, ou melhor ainda, dois lados de uma mesma moeda, sendo que ambas são inseparavelmente ligadas na prática.”
Proposta de intervenção no conflito: estratégias centradas nos indivíduos e nas relações interpessoais
Segundo Costa & Matos, que citam vários autores, uma das estratégias de resolução de conflitos, para além da sistémica, é a que se centra nas relações interpessoais e nos indivíduos, nomeadamente através da mediação de pares.
Na escola, a mediação de pares, centra o papel de mediador em alunos que assumem esse papel. A função de mediador tem como objectivos gerar acordos e desenvolver estratégias para lidar com problemas semelhantes no futuro. Trata-se, assim, de desenvolver competências na resolução de conflitos. Tanto mediadores como mediados têm ganhos: uns porque na relação de pares aprendem competências para lidar com as divergências; outros porque aprendem a colocar-se no lugar dos outros, não se centrando apenas em si mesmos.
Na resolução de conflitos através da mediação de pares, é fundamental aprender a trabalhar em grupo, afastar-se do individualismo. A reflexão sobre a acção fortalece as relações interpessoais e fomenta a (auto) - crítica. A capacidade de resolver conflitos confere o sentimento de poder e de controlo, de confiança e de credibilidade.
Costa &Matos (p79) referem os factores essenciais do processo de resolução de conflito:
• Separar as pessoas do problema - perceber que cada um tem o seu ponto de vista;
• Reconhecer as emoções envolvidas no processo – sentimentos…
• Aceitar que o conflito é comunicação - partilhar, ouvir, opinar…
• Aprender a diferenciar o foco nos interesses e não nas posições – os interesses são frequentemente “camuflados” e raramente são explicitados;
• Criar oportunidades para encontrar opções ou alternativas distintas – abrindo margem a várias perspectivas;
Costa & Matos mencionam a proposta de Stevahn (2004), de integrar no currículo programas que permitam o desenvolvimento moral e social. Essa proposta centra-se no trabalho cooperativo, na turma, na definição de conflito, na negociação e mediação para encontrarem uma resolução para o conflito: uma resolução construtiva de conflitos.

Bibliografia:
- Costa, E.; Matos, P. (2007). Abordagem sistémica do conflito. Lisboa: Universidade Aberta.pp.75-120.
- Chiavenato, Adalberto (1987). Teoria Geral da Administração. S. Paulo. 3ºEd. Vol 2
-Matta, Isabel (2001). Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Lisboa. Universidade Aberta

quinta-feira, 5 de maio de 2011

As Interacções Sociais e as Relações Interpessoais

Tal como refere Costa&Matos (2006:21), “a instituição escolar e familiar são na sua essência relacionais e, por conseguinte, promotores da construção e reconstrução de significados(…) que estruturam as nossas relações”.
As interacções pessoais começam desde o nascimento de uma criança e podem ser simétricas ou assimétricas. Segundo Matta (2001:93), “as interacções simétricas podem ser definidas como aquelas em que os papéis e os estatutos atribuídos aos sujeitos, na resolução de determinada tarefa, são idênticos” e “interacções assimétricas aquelas em que os sujeitos, implicados numa situação de resolução de uma tarefa, possuem papéis e estatutos diferentes”.
As interacções simétricas ocorrem frequentemente nas interacções sociais quer dos adultos, quer das crianças. É o caso, por exemplo, quando discutimos sobre determinado ponto de vista e argumentamos no sentido de fazermos valer as nossas ideias, assim como os outros o fazem. Acontece, frequentemente na sala de aula, quando se discutem situações e cada um argumenta a favor de diferentes hipóteses de resolução. Estas interacções simétricas são capazes de gerar progressos, evolução cognitiva e comunicacional também.
As interacções assimétricas são as mais frequentes no quotidiano. Tal como refere Matta(2001:97), “verificamos que essas trocas ocorrem, na maioria das vezes, entre um sujeito mais competente numa determinada tarefa e um outro menos competente”. Isto acontece em contextos sociais de troca de saberes, como é a família e a escola. Tall como refere Matta(2001:97), “uma interacção assimétrica caracteriza-se pela diferença nos papéis e no estatuto de cada um dos parceiros” e por isso o grau de assimetria é diferente, sendo menor se for entre crianças, e maior se for numa interacção adulto-criança.
Em suma, no nosso quotidiano vivemos e presenciamos interacções constantemente.
A profissão docente vive de interacções. É dessas interacções que vão surgindo novos conhecimentos, alguns dos quais a partir de conflitos sociocognitivos. Mas são esses mesmos conflitos que permitem a evolução, o desenvolvimento pessoal e também a mudança dos grupos em que estamos inseridos e da própria sociedade em geral.
Comunicar é inato e não vive só das palavras. A comunicação não verbal é, por vezes, ainda mais rica e expressiva. Realmente, “não podemos não comunicar”.

A Escola de Palo Alto

A Escola de Palo Alto, foi fundada nos Estados Unidos, tendo como precursor Gregory Bateson.
Uma das máximas utilizadas é que “não é possível não comunicar”.
Bateson utilizou um dos métodos de pesquisa bastante utilizados na época – o interaccionismo simbólico- na medida em que considera a comunicação um acto social. Eis algumas características/pressupostos da Escola de Palo Alto:
.A comunicação deveria ser estudada a partir de um modelo das ciências humanas;
.Dois pressupostos – sistémico (elementos em interacção) e circular (há relações de ida e volta, que retroagem constantemente - teoria do duplo vínculo;
.Comunicação pode ser compreendida num jogo relacional, em que os vínculos e as estratégias entre os comunicantes estão em permanente construção;
.Analisam as pequenas interacções do quotidiano; nessas interacções há uma rede regulada pelas reacções sociais, com códigos e regras;
.A comunicação desenvolve-se em vários níveis e não apenas do emissor para o receptor, numa relação simétrica;
.Compreender a interacção num contexto cultural diverso e singular, onde acontecem várias relações assimétricas;
.Carácter relacional e integrado da comunicação, uma vez que esta se realiza em múltiplas redes de significação, com participação activa dos indivíduos;
.A comunicação não reside no sujeito, mas nas relações entre os indivíduos;
.Comunicação como uma instituição cultural realizada num determinado contexto social e não é um acto simplesmente cognitivo;
.Comunicação afasta-se da ideia linear e reducionista em que é vista como uma transmissão de informação.
.Comunicação tem dois aspectos importantes: o conteúdo e a relação (transmite os dados) ou indício e ordem (como devemos compreender os dados -meta comunicação)
. Dois modos de comunicação: digital (utilização de palavras) e analógica (gestos, expressões…)
. Interacção simétrica (diferenças mínimas entre os participantes) e interacção complementar (diferenças máximas)

A Escola de Chicago e o Interaccionismo Simbólico

A Escola de Chicago data das primeiras décadas do século XX.
Assentava no pressuposto de que os seres humanos eram capazes de interpretar o seu contexto de vida, opondo-se a teorias sociológicas como o Funcionalismo, que concebia as relações e acções sociais como derivadas das normas e regras sociais pré-estabelecidas.
Eis algumas características/pressupostos do interaccionismo simbólico:
•Há interacções sociais entre grupos, cada qual com as suas regras e normas de conduta aceites pelos seus elementos, para além das acções sociais condicionadas pelos normativos da sociedade;
•As interacções sociais são processos dialécticos, na medida em que os indivíduos constroem os grupos e esses grupos interferem na sua conduta;
•A acção dos indivíduos está relacionada com o significado que têm do mundo;
•Esse significado provém das interacções sociais;
•Esse significado é utilizado nas interacções grupais, mudando, por vezes, as suas próprias significações;

sábado, 9 de abril de 2011

Comunicação

Comunicação é um campo de conhecimento acadêmico que estuda os processos de comunicação humana. Entre as subdisciplinas da comunicação, incluem-se a teoria da informação, comunicação intrapessoal, comunicação interpessoal, marketing, publicidade, propaganda, relações públicas, análise do discurso, telecomunicações e Jornalismo.

Também se entende a comunicação como o intercâmbio de informação entre sujeitos ou objetos. Deste ponto de vista, a comunicação inclui temas técnicos (por exemplo, a telecomunicação), biológicos (por exemplo, fisiologia, função e evolução) e sociais (por exemplo, jornalismo, relações públicas, publicidade, audiovisual e meios de comunicação de massa).

A comunicação humana é um processo que envolve a troca de informações, e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim. Estão envolvidos neste processo uma infinidade de maneiras de se comunicar: duas pessoas tendo uma conversa face-a-face, ou através de gestos com as mãos, mensagens enviadas utilizando a rede global de telecomunicações, a fala, a escrita que permitem interagir com as outras pessoas e efetuar algum tipo de troca informacional.

No processo de comunicação em que está envolvido algum tipo de aparato técnico que intermedia os locutores, diz-se que há uma comunicação mediada.

O estudo da Comunicação é amplo e sua aplicação é ainda maior. Para a Semiótica, o ato de comunicar é a materialização do pensamento/sentimento em signos conhecidos pelas partes envolvidas. Estes símbolos são então transmitidos e reinterpretadas pelo receptor. Hoje, é interessante pensar também em novos processos de comunicação, que englobam as redes colaborativas e os sistemas híbridos, que combinam comunicação de massa e comunicação pessoal e comunicação horizontal.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Explicação Sistémica e Linear

O Homem é um ser social. Citando Costa & Matos, “toda a acção social é comunicação e toda a comunicação é um processo em que relações, identidades, padrões culturais, valores…são elaborados e transformados.” As mesmas autoras, referem que a comunicação é sistémica “na medida em que ela afecta e é afectada por uma realidade construída ao longo do tempo.

Desde o início da Psicologia, que esta se interessa pelas relações interpessoais.
Del Prette refere que há duas abordagens psicológicas sobre as relações interpessoais: há uma explicação linear e uma explicação sistémica.

Quanto à explicação linear, cada um tenta sempre explicar porque razão agiu de determinada maneira ou tomou determinada atitude. Considera, ainda, que a nossa maneira de agir é afectada por factores “ambientais (características físicas sociais e/ou culturais de uma dada situação)”e por “variáveis intra-individuais(crenças, percepções, sentimentos)”(DelPrette&DelPrette,p.22).

A explicação sistémica, considera que “um sistema pode ser entendido como uma combinação ordenada de partes que interagem para produzir um resultado. A visão sistémica constitui uma tentativa de compreender a influência recíproca entre as partes de um sistema (seus subsistemas) e entre sistemas e seu entorno” (Del Prette &Del Prette, p.25). Costa e Matos, citando Bertalanffy, consideram que sistema é “um conjunto de elementos em interacção entre si e com o meio”.

Tendo em conta que as relações interpessoais só fazem sentido se analisadas no seu ambiente, implica que se envolvam todos os participantes activos de uma relação, olhando a mesma como um processo de vários componentes. “Os sistemas humanos são determinados pela força como seus componentes se relacionam entre si e isto lhe confere a estrutura” (Del Prette &Del Prette, p.28). Segundo Matos e Costa, “a importância do contexto em que o indivíduo está inserido e a reciprocidade de influências num processo de desenvolvimento contínuo é agora objecto de estudo”.
São, assim, valorizadas as relações e interacções no seio da família e da escola. É neste contexto que se centra a teoria da vinculação.

As pesquisas sobre o desenvolvimento humano e socialização levaram ao reconhecimento do Homem enquanto ser que está sempre em evolução “adaptando-se às condições favoráveis à sua sobrevivência ou procurando alterá-las quando são desfavoráveis” (Del Prette &Del Prette, p.214). Tendo em conta que a sobrevivência está ligada à relação com o outro, há necessidades internas ou externas de relacionamento interpessoal, nomeadamente necessidade de cooperação.

Idealiza-se, assim, segundo os autores, “um novo homem que deve ser construído com base em relações saudáveis” e essas relações têm maiores probabilidades “quanto mais flexível o indivíduo” for. Ainda, segundo os mesmos autores, essas relações envolvem três elementos fundamentais: interdependência, aceitação e solidariedade.
Tendo em conta que o homem é um ser social, e que essa característica envolve relações com os outros e com o meio, tentaremos sinteticamente, definir algumas relações que se criam.

Afiliação é a tendência humana para procurar a companhia de seres da mesma espécie; vinculação é o estado de dependência emocional de alguém; aceitação é reconhecer a individualidade de cada um; rejeição está relacionada com a discriminação, isto é, com o comportamento negativo em relação a membros de um grupo específico; reciprocidade pressupõe interacções sociais, considerando que os dois intervenientes são ajudados. A interdependência é associada à necessidade de filiação, desejabilidade social, atracção interpessoal, etc.
O Homem, enquanto possuidor de capacidades de auto-organização e auto renovação, mantém uma troca contínua com o ambiente.
Assim, segundo Maturana, existe autonomia e dependência, isto é, interdependência.

O contexto escolar, a par com o contexto familiar, é, por excelência, potenciador de relações interpessoais.

Bibliografia consultada:
COSTA, E.; MATOS, P. (2007). Abordagem sistémica do conflito. Lisboa: Universidade Aberta, pp.43- 72.
DEL PRETTE, A & DEL PRETTE, Z. (2006) Psicologia das Relações Interpessoais, Petrópolis: Editora Vozes,pp.212-221
NETO, F. (2000) Psicologia Social – Volume II, Lisboa: Universidade Aberta, pp. 141-146