O termo bullying vem do vocábulo em inglês to bully. Este vocábulo significa agressor, intimidador. Relaciona-se, assim, de certa forma com o conceito de violência. O conceito de bullying surgiu da necessidade de caracterizar um tipo particular de violência ou de agressão na escola, que ocorre entre pares. O bullying diferencia-se das brincadeiras (mesmo com contacto físico) nas quais algumas crianças se envolvem, bem como brigas ou discussões ocasionais entre pares de igual força e poder. Essa violência é aprendida e pode ser vista como uma resposta de alguém que agride o mundo onde não se sente aceite, o que, com alguma frequência, corresponde a um défice de vínculos psicossociais.
Sendo a escola uma organização com fins educativos, consideramos que tem havido uma preocupação cada vez mais crescente com a transmissão de valores. Essa organização vive, entre outras vertentes, de um sistema de comportamentos relacionais que são complexos.
Abrangendo a escola um conjunto de normas e obrigações, com algumas relações de força resultantes, entre outros factores, das hierarquias, há uma constante de conflito, de resistência à regra, que cria uma dinâmica de mudança e transformação. Contudo, esses conflitos afastam, por vezes, a escola da sua missão educativa. E não podemos esquecer que a escola persegue também objectivos sociais e presta contas à ”sociedade”.
Em suma, há que entender o conceito de bullying e não o confundir com agressividade ou violência.
Considerando o bullying como uma forma de violência entre pares, se considerarmos o contexto escolar, percebe-se que o referido comportamento ocorre com alguma frequência principalmente nos recreios. Portanto, deve-se procurar definir estratégias o mais precocemente possível, pois assim melhores serão os resultados quanto à redução e ao controle do bullying nas escolas.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Conflito
O conflito na Escola: ponto de vista teórico
A Escola é uma organização com fins específicos. É uma organização que se pode considerar, de certa forma, um protótipo da sociedade. Pessoas com diferentes vivências, personalidade, valores, perspectivas, interesses co-partilham o mesmo espaço, coexistindo num ambiente onde também o conflito se faz sentir nas diferentes relações existentes.
A natureza do conflito está, directa ou indirectamente, relacionado com o clima de escola e com as relações existentes.
O clima de escola abrange termos como “atmosfera”, “clima”, “ethos”- o modo como as pessoas se “sentem” na escola.
As relações são heterogéneas e referem-se a alunos -professores, alunos -auxiliares, alunos -alunos; professores -professores, professores -auxiliares, professores -pais, professores -comunidade local; auxiliares, com os restantes grupos já referidos.
Assim, nas diferentes relações, é natural que surja o conflito entre os diversos actores.
É então importante definir o conceito de conflito.
Costa &Matos (2007:75), referem as definições de conflito segundo diferentes autores. É perceptível que o conflito resulta de diferentes pontos de vista, objectivos, interesses, opiniões. As mesmas autoras referem a classificação de conflitos na escola segundo Johnson e Johnson(1995). Os conflitos podem assim ser:
Controvérsia – em que há a necessidade de procurar um acordo entre os envolvidos, os quais têm um ponto de vista incompatível entre eles;
Conflito conceptual - em que se manifesta a controvérsia com posições anteriores;
Conflito de interesses - cada um tenta “passar a perna ao outro”, de modo a atingir os seus objectivos mais rapidamente;
Conflito desenvolvi mental – relacionado com relações entre adultos e crianças;
Partilhando da opinião de Costa & Matos (2007:76), os conflitos são inevitáveis e necessários para a mudança. A sua existência não significa que sejam negativos, pois, sendo necessários para a mudança, há que potenciar os seus efeitos positivos, nomeadamente na capacidade de criar soluções e alternativas a situações problemáticas futuras.
Citando Chiavenato (1987: 88-89), “ conflito e cooperação são elementos integrantes da vida de uma organização (…) Hoje, considera-se cooperação e conflito como dois aspectos da actividade social, ou melhor ainda, dois lados de uma mesma moeda, sendo que ambas são inseparavelmente ligadas na prática.”
Proposta de intervenção no conflito: estratégias centradas nos indivíduos e nas relações interpessoais
Segundo Costa & Matos, que citam vários autores, uma das estratégias de resolução de conflitos, para além da sistémica, é a que se centra nas relações interpessoais e nos indivíduos, nomeadamente através da mediação de pares.
Na escola, a mediação de pares, centra o papel de mediador em alunos que assumem esse papel. A função de mediador tem como objectivos gerar acordos e desenvolver estratégias para lidar com problemas semelhantes no futuro. Trata-se, assim, de desenvolver competências na resolução de conflitos. Tanto mediadores como mediados têm ganhos: uns porque na relação de pares aprendem competências para lidar com as divergências; outros porque aprendem a colocar-se no lugar dos outros, não se centrando apenas em si mesmos.
Na resolução de conflitos através da mediação de pares, é fundamental aprender a trabalhar em grupo, afastar-se do individualismo. A reflexão sobre a acção fortalece as relações interpessoais e fomenta a (auto) - crítica. A capacidade de resolver conflitos confere o sentimento de poder e de controlo, de confiança e de credibilidade.
Costa &Matos (p79) referem os factores essenciais do processo de resolução de conflito:
• Separar as pessoas do problema - perceber que cada um tem o seu ponto de vista;
• Reconhecer as emoções envolvidas no processo – sentimentos…
• Aceitar que o conflito é comunicação - partilhar, ouvir, opinar…
• Aprender a diferenciar o foco nos interesses e não nas posições – os interesses são frequentemente “camuflados” e raramente são explicitados;
• Criar oportunidades para encontrar opções ou alternativas distintas – abrindo margem a várias perspectivas;
Costa & Matos mencionam a proposta de Stevahn (2004), de integrar no currículo programas que permitam o desenvolvimento moral e social. Essa proposta centra-se no trabalho cooperativo, na turma, na definição de conflito, na negociação e mediação para encontrarem uma resolução para o conflito: uma resolução construtiva de conflitos.
Bibliografia:
- Costa, E.; Matos, P. (2007). Abordagem sistémica do conflito. Lisboa: Universidade Aberta.pp.75-120.
- Chiavenato, Adalberto (1987). Teoria Geral da Administração. S. Paulo. 3ºEd. Vol 2
-Matta, Isabel (2001). Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Lisboa. Universidade Aberta
A Escola é uma organização com fins específicos. É uma organização que se pode considerar, de certa forma, um protótipo da sociedade. Pessoas com diferentes vivências, personalidade, valores, perspectivas, interesses co-partilham o mesmo espaço, coexistindo num ambiente onde também o conflito se faz sentir nas diferentes relações existentes.
A natureza do conflito está, directa ou indirectamente, relacionado com o clima de escola e com as relações existentes.
O clima de escola abrange termos como “atmosfera”, “clima”, “ethos”- o modo como as pessoas se “sentem” na escola.
As relações são heterogéneas e referem-se a alunos -professores, alunos -auxiliares, alunos -alunos; professores -professores, professores -auxiliares, professores -pais, professores -comunidade local; auxiliares, com os restantes grupos já referidos.
Assim, nas diferentes relações, é natural que surja o conflito entre os diversos actores.
É então importante definir o conceito de conflito.
Costa &Matos (2007:75), referem as definições de conflito segundo diferentes autores. É perceptível que o conflito resulta de diferentes pontos de vista, objectivos, interesses, opiniões. As mesmas autoras referem a classificação de conflitos na escola segundo Johnson e Johnson(1995). Os conflitos podem assim ser:
Controvérsia – em que há a necessidade de procurar um acordo entre os envolvidos, os quais têm um ponto de vista incompatível entre eles;
Conflito conceptual - em que se manifesta a controvérsia com posições anteriores;
Conflito de interesses - cada um tenta “passar a perna ao outro”, de modo a atingir os seus objectivos mais rapidamente;
Conflito desenvolvi mental – relacionado com relações entre adultos e crianças;
Partilhando da opinião de Costa & Matos (2007:76), os conflitos são inevitáveis e necessários para a mudança. A sua existência não significa que sejam negativos, pois, sendo necessários para a mudança, há que potenciar os seus efeitos positivos, nomeadamente na capacidade de criar soluções e alternativas a situações problemáticas futuras.
Citando Chiavenato (1987: 88-89), “ conflito e cooperação são elementos integrantes da vida de uma organização (…) Hoje, considera-se cooperação e conflito como dois aspectos da actividade social, ou melhor ainda, dois lados de uma mesma moeda, sendo que ambas são inseparavelmente ligadas na prática.”
Proposta de intervenção no conflito: estratégias centradas nos indivíduos e nas relações interpessoais
Segundo Costa & Matos, que citam vários autores, uma das estratégias de resolução de conflitos, para além da sistémica, é a que se centra nas relações interpessoais e nos indivíduos, nomeadamente através da mediação de pares.
Na escola, a mediação de pares, centra o papel de mediador em alunos que assumem esse papel. A função de mediador tem como objectivos gerar acordos e desenvolver estratégias para lidar com problemas semelhantes no futuro. Trata-se, assim, de desenvolver competências na resolução de conflitos. Tanto mediadores como mediados têm ganhos: uns porque na relação de pares aprendem competências para lidar com as divergências; outros porque aprendem a colocar-se no lugar dos outros, não se centrando apenas em si mesmos.
Na resolução de conflitos através da mediação de pares, é fundamental aprender a trabalhar em grupo, afastar-se do individualismo. A reflexão sobre a acção fortalece as relações interpessoais e fomenta a (auto) - crítica. A capacidade de resolver conflitos confere o sentimento de poder e de controlo, de confiança e de credibilidade.
Costa &Matos (p79) referem os factores essenciais do processo de resolução de conflito:
• Separar as pessoas do problema - perceber que cada um tem o seu ponto de vista;
• Reconhecer as emoções envolvidas no processo – sentimentos…
• Aceitar que o conflito é comunicação - partilhar, ouvir, opinar…
• Aprender a diferenciar o foco nos interesses e não nas posições – os interesses são frequentemente “camuflados” e raramente são explicitados;
• Criar oportunidades para encontrar opções ou alternativas distintas – abrindo margem a várias perspectivas;
Costa & Matos mencionam a proposta de Stevahn (2004), de integrar no currículo programas que permitam o desenvolvimento moral e social. Essa proposta centra-se no trabalho cooperativo, na turma, na definição de conflito, na negociação e mediação para encontrarem uma resolução para o conflito: uma resolução construtiva de conflitos.
Bibliografia:
- Costa, E.; Matos, P. (2007). Abordagem sistémica do conflito. Lisboa: Universidade Aberta.pp.75-120.
- Chiavenato, Adalberto (1987). Teoria Geral da Administração. S. Paulo. 3ºEd. Vol 2
-Matta, Isabel (2001). Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Lisboa. Universidade Aberta
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