segunda-feira, 13 de junho de 2011

Conflito

O conflito na Escola: ponto de vista teórico
A Escola é uma organização com fins específicos. É uma organização que se pode considerar, de certa forma, um protótipo da sociedade. Pessoas com diferentes vivências, personalidade, valores, perspectivas, interesses co-partilham o mesmo espaço, coexistindo num ambiente onde também o conflito se faz sentir nas diferentes relações existentes.
A natureza do conflito está, directa ou indirectamente, relacionado com o clima de escola e com as relações existentes.
O clima de escola abrange termos como “atmosfera”, “clima”, “ethos”- o modo como as pessoas se “sentem” na escola.
As relações são heterogéneas e referem-se a alunos -professores, alunos -auxiliares, alunos -alunos; professores -professores, professores -auxiliares, professores -pais, professores -comunidade local; auxiliares, com os restantes grupos já referidos.
Assim, nas diferentes relações, é natural que surja o conflito entre os diversos actores.
É então importante definir o conceito de conflito.
Costa &Matos (2007:75), referem as definições de conflito segundo diferentes autores. É perceptível que o conflito resulta de diferentes pontos de vista, objectivos, interesses, opiniões. As mesmas autoras referem a classificação de conflitos na escola segundo Johnson e Johnson(1995). Os conflitos podem assim ser:
Controvérsia – em que há a necessidade de procurar um acordo entre os envolvidos, os quais têm um ponto de vista incompatível entre eles;
Conflito conceptual - em que se manifesta a controvérsia com posições anteriores;
Conflito de interesses - cada um tenta “passar a perna ao outro”, de modo a atingir os seus objectivos mais rapidamente;
Conflito desenvolvi mental – relacionado com relações entre adultos e crianças;
Partilhando da opinião de Costa & Matos (2007:76), os conflitos são inevitáveis e necessários para a mudança. A sua existência não significa que sejam negativos, pois, sendo necessários para a mudança, há que potenciar os seus efeitos positivos, nomeadamente na capacidade de criar soluções e alternativas a situações problemáticas futuras.
Citando Chiavenato (1987: 88-89), “ conflito e cooperação são elementos integrantes da vida de uma organização (…) Hoje, considera-se cooperação e conflito como dois aspectos da actividade social, ou melhor ainda, dois lados de uma mesma moeda, sendo que ambas são inseparavelmente ligadas na prática.”
Proposta de intervenção no conflito: estratégias centradas nos indivíduos e nas relações interpessoais
Segundo Costa & Matos, que citam vários autores, uma das estratégias de resolução de conflitos, para além da sistémica, é a que se centra nas relações interpessoais e nos indivíduos, nomeadamente através da mediação de pares.
Na escola, a mediação de pares, centra o papel de mediador em alunos que assumem esse papel. A função de mediador tem como objectivos gerar acordos e desenvolver estratégias para lidar com problemas semelhantes no futuro. Trata-se, assim, de desenvolver competências na resolução de conflitos. Tanto mediadores como mediados têm ganhos: uns porque na relação de pares aprendem competências para lidar com as divergências; outros porque aprendem a colocar-se no lugar dos outros, não se centrando apenas em si mesmos.
Na resolução de conflitos através da mediação de pares, é fundamental aprender a trabalhar em grupo, afastar-se do individualismo. A reflexão sobre a acção fortalece as relações interpessoais e fomenta a (auto) - crítica. A capacidade de resolver conflitos confere o sentimento de poder e de controlo, de confiança e de credibilidade.
Costa &Matos (p79) referem os factores essenciais do processo de resolução de conflito:
• Separar as pessoas do problema - perceber que cada um tem o seu ponto de vista;
• Reconhecer as emoções envolvidas no processo – sentimentos…
• Aceitar que o conflito é comunicação - partilhar, ouvir, opinar…
• Aprender a diferenciar o foco nos interesses e não nas posições – os interesses são frequentemente “camuflados” e raramente são explicitados;
• Criar oportunidades para encontrar opções ou alternativas distintas – abrindo margem a várias perspectivas;
Costa & Matos mencionam a proposta de Stevahn (2004), de integrar no currículo programas que permitam o desenvolvimento moral e social. Essa proposta centra-se no trabalho cooperativo, na turma, na definição de conflito, na negociação e mediação para encontrarem uma resolução para o conflito: uma resolução construtiva de conflitos.

Bibliografia:
- Costa, E.; Matos, P. (2007). Abordagem sistémica do conflito. Lisboa: Universidade Aberta.pp.75-120.
- Chiavenato, Adalberto (1987). Teoria Geral da Administração. S. Paulo. 3ºEd. Vol 2
-Matta, Isabel (2001). Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Lisboa. Universidade Aberta

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